Sequestros fazem crescer a procura por blindados – Entrevista Glauco Splendore

Empresas de SP registraram demanda em até 50% maior na última semana. País já tem a mais numerosa frota de veículos com proteção balística

 

 

A violência Urbana mais uma vez está servindo de estímulo para aumentar a procura por veículos blindados. Em 1999 os filhos do empresário Jorge Paulo Lemarui foram vítimas de uma tentativa de assalto e, mesmo tendo o veículo todo baleado foram cerca de 15 tiros saíram ilesos em razão de o modelo ser blindado. Esse e outros fatos ligados à violência urbana foram os grandes responsáveis pelo crescimento das vendas de automóveis com proteção balística, fazendo do Brasil, em poucos anos, o país com a maior, frota de blindados do mundo. 12 mil automóveis ao total. Apesar das poucas semelhanças, o incidente envolvendo o empresário e apresentador Silvio Santos e sua filha, Patrícia Abravanel, nos últimos dias, também deixou o mercado de blindagens agitado. Em algumas empresas, a procura cresceu mais de 50% em cerca de uma semana.

 

De acordo com Martin Osvaldo Dia, proprietário da Sulam. entre segunda e sexta-feira da semana passada foram feitas 30 consultas de possíveis compradores de um modelo blindado. “Em urna semana normal, atendemos de 15 a 20 clientes, conta Diaz. Mesmo em pouco tempo, o fato também alterou as vendas. A Sulam comercializou 11 veículos com a proteção entre os dias 27 a 31 de agosto, sendo que a média num período como esse é de cinco unidades. “O sequestro deixou muita gente assustada, as pessoas chegam a comentar o medo da violência quando nos procuram.”

Na Fórmula Blindados somente entre quinta e sexta-feira o fluxo de clientes na loja, cuja maioria dos negócios é baseada em pronta entrega, aumentou 25% “Sempre que a midia divulga problemas assim as pessoas ficam preocupadas e a demanda aumenta: é quase uma rotina”, diz o Charles Parezew. “Muitas propostas arquivadas acabam virando negócio diante de incidentes envolvendo qualquer tipo de violência urbana”, comenta Duarte Moraes, gerente de marketing da Armour. Ele diz acreditar que os números do mês serão 20% maiores em razão dos sequestros de Silvio Santos, sua filha e outros divulgados pela mídia no final de agosto.

 

Ismael Sgrignoli Júnior, um dos proprietários da Totality Inbra, conta que até a última sexta-feira a procura na loja havia crescido 50%. “As vendas vão aumentar em média 30% em razão do que aconteceu com o apresentador”, diz Sgrignolli Junior. “Ainda não sabemos se essa alta se manterá ou se é apenas algo passageiro.” Glauco Splendore, da SW Blindagens, confirma os números em alta. Entre segunda e sexta-feira passadas, a companhia vendeu 12 blindados, enquanto em uma semana comum esse número é de oito veículos. “Cresceu a conscientização das pessoas, por isso acredito que a procura pode se manter em níveis elevados”, diz Splendore.

Na O’Gara-Hess & Eisenhardt foram vendidos dez carros blindados na semana passada – a média registrada pela empresa seria de sete a oito automóveis. “A maioria é composta por novos clientes”, diz o diretor comercial, Amaury Belmonte.

 

Para o capitão comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), Diógenes Dalle Lucca, reações desse tipo por parte da população não são de estranhar “Quando há um incêndio é normal que em seguida as pessoas procurem fazer uma revisão das instalações elétricas; nesse caso, é a mesma coisa, o medo toma conta e a prevenção aumenta”, diz Lucca, que foi o responsável pelas negociações entre a Polícia Militar e o sequestrador de Silvio Santos.

 

Capitão alerta sobre riscos

 

Capitão comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), da Polícia Militar e responsável pelas negociações feitas com o sequestrador do empresário e apresentador Silvio Santos, na última quinta-feira. Diógenes Dalle Lucca ressalta que a compra de um carro blindado exige cuidados especiais, principalmente quando a demanda cresce repentinamente.

“O comprador deve analisar com cuidado a qualidade daquilo que está adquirindo, uma blindagem malfeita pode pôr em risco a vida de quem está no automóvel.”

Lucca recomenda ainda que o interessado em um modelo blindado, além de se dirigir a uma empresa certificada, leve um profissional de segurança para que o trabalho seja analisado. Comprar a primeira coisa que se vê pela frente pode ser perigoso. diz Lucca.

Mas, para o capitão da PM, uma das preocupações mais importantes de quem anda em um veículo, seja ele com ou sem proteção balística. deve ser a conscientização. Ou seja, atitudes aparentemente simples, como deixar portas travadas, os vidros fechados, variar o percurso diário e até mesmo usar óculos escuros quando dirige podem ajudar a evitar que a pessoa seja vítima “O Fato de estar em um veículo blindado não significa que estamos totalmente protegidos adverte Lucca. “As pessoas precisam entender segurança como qualidade de vida.”

 

Fonte: Grande São Paulo Carro
Entrevista Glauco Splendore